Duas garrafas de cerveja, um livro dos Malvados e uma coletânea do Iggy Pop na cabeça, fui assistir Será que a gente influencia o Caetano, assinada por Bortolotto e dirigida por Henrique Stroeter e Claudinei Brandão. Diferente da maioria das peças do dramaturgo, que transbordam melancolia, essa aqui vai pelo caminho da caricatura e do escracho. Mas o destino final é o mesmo, a mais pura fotografia de uma geração perdida. O triste é constatar que o texto, de 1985, tirando uma ou outra adaptação aos novos tempos (NX Zero e My Chemical Romance, cada geração tem os ídolos que merece), mantém-se extremamente atual.
O cenário é zero. Nem as fatídicas mesinhas lotadas de garrafas, que fazem parte da maioria das peças do autor, estão presentes aqui (justiça seja feita, em uma cena os personagens dão um tapa numa long neck). Isso dá espaço para que Alexandre Bamba e Mario Mathias brilhem nos papeis de dois losers, dois playboys que, no entanto, acham que são grandes artistas (um músico e um poeta). O sonho dos dois é conquistar a fama e, quem sabe até, fazer uma música que influencie Caetano Veloso (outra triste constatação, ainda hoje a figura de Veloso continua atual).
A quantidade de referências mezzo pop mezzo kitsch faria inveja a Tarantino. Impagável a cena em que os dois dançam Serginho Mallandro. Ídolos (o programa trash), emo, MPB, garotas de cursinho, garotas de faculdade. Tudo vira piada e transborda acidez no texto de Bortolloto. Como diria Gil Vicente, é rindo que se critica. Ou como diria o povo, é rir pra não chorar.
Será que a gente influencia o Caetano?
Onde: Espaço Parlapatões - Praça Franklin Roosevelt, 158, Consolação
Quando: quintas, 21h; sábados, 23h59. Até 28/02.
Quanto: R$ 20,00.
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
O Casamento de Rachel mostra deslocamento de ex-viciada
É de deslocamento que nos fala Jonathan Demme em O casamento de Rachel. Porque é assim que Kym, personagem de Anne Hathaway (indicada ao Oscar de Melhor Atriz pelo papel) se sente durante grande parte do filme. Kym volta para casa bem a tempo do casamento da irmã, Rachel. O problema é que ela não estava de férias, mas sim internada em uma clínica de reabilitação.
A partir daí, a câmera de Jonathan Demme (que evoca uma câmera caseira, como se víssemos um vídeo de casamento) e os olhos de todos se voltam para Kym. Logo quando ela chega em casa, alguém a reconhece e pergunta se ela não tem “unzinho” pra arrumar. Assim como acontece com ex-detentos, é difícil se livrar da fama de junkie, mesmo para quem está limpo como Kym.
Mas aos poucos o castelo de cartas da família vai caindo, e vemos que não é só no personagem de Hathaway que se concentram os problemas. Se ela é a ovelha negra, o resto do rebanho não é tão branquinho como parece. O pai se preocupa de maneira obsessiva com a filha, a irmã só se preocupa com o casamento, a mãe (divorciada) é ausente, etc.
Assim como em O silêncio dos inocentes e Filadélfia, filmes mais conhecidos de Demme, o protagonista é uma outsider, uma deslocada, uma gauche. Ela simplesmente não se encaixa no meio em que vive. Não por acaso, um dos poucos com quem consegue estabelecer uma relação é com o padrinho, que por acaso faz parte do mesmo grupo de reabilitação que frequenta.
Em muitos aspectos O Casamento de Rachel lembra Feliz Natal, de Selton Mello, que por sua vez lembra os filmes de Cassavetes. Um ente problemático que retorna ao lar, para uma família que, por trás das aparências, também desmorona.
A partir daí, a câmera de Jonathan Demme (que evoca uma câmera caseira, como se víssemos um vídeo de casamento) e os olhos de todos se voltam para Kym. Logo quando ela chega em casa, alguém a reconhece e pergunta se ela não tem “unzinho” pra arrumar. Assim como acontece com ex-detentos, é difícil se livrar da fama de junkie, mesmo para quem está limpo como Kym.
Mas aos poucos o castelo de cartas da família vai caindo, e vemos que não é só no personagem de Hathaway que se concentram os problemas. Se ela é a ovelha negra, o resto do rebanho não é tão branquinho como parece. O pai se preocupa de maneira obsessiva com a filha, a irmã só se preocupa com o casamento, a mãe (divorciada) é ausente, etc.
Assim como em O silêncio dos inocentes e Filadélfia, filmes mais conhecidos de Demme, o protagonista é uma outsider, uma deslocada, uma gauche. Ela simplesmente não se encaixa no meio em que vive. Não por acaso, um dos poucos com quem consegue estabelecer uma relação é com o padrinho, que por acaso faz parte do mesmo grupo de reabilitação que frequenta.
Em muitos aspectos O Casamento de Rachel lembra Feliz Natal, de Selton Mello, que por sua vez lembra os filmes de Cassavetes. Um ente problemático que retorna ao lar, para uma família que, por trás das aparências, também desmorona.
Beleza em meio ao caos de São Paulo
Se a intenção da mostra 300mm, em cartaz no Instituto Cervantes, era recriar o clima da caótica São Paulo, conseguiu. Perto da gravação em espanhol repetida ad nauseum com informações sobre a cidade, o clima da hora do rush da Avenida Paulista, onde fica o Instituto, torna-se quase bucólico.
Mas a despeito do caráter de instalação, a exposição é bem feita e significativa. Diversos aparelhos de televisão de um lado, escadas no meio e imagens projetadas do outro mostram fotografias de São Paulo que apontam a diversidade da capital. Em uma das projeções, imagens de Bob Wolfenson e Tuca Vieira (infelizmente não é discriminado de quem é cada foto) de uma São Paulo ao mesmo tempo caótica e bela. Wolfenson e Vieira conseguem enxergar a beleza (em um simples arco-íris, por exemplo) por trás de elementos tão odiados pelo paulistano, como o trânsito e a superpopulação.
Na projeção do meio, primeiramente são mostradas fotografias de Filipe Berndt, do bairro da Bela Vista, mais especificamente de uma academia montada debaixo de um viaduto, voltada principalmente ao boxe. Berndt, assim como já o fizeram Scorsese e Eastwood no cinema, descortina o que há de belo em um esporte visto muitas vezes apenas como violento. Outra série apresenta a arte urbana tão presente (e tão polêmica) em São Paulo, em imagens de Ignacio Aronovich.
Primeiro a pixação, depois o grafitti. Mas um tipo especial de grafitti, feito no subterrâneo, nas galerias pluviais, por Zezão, que chama a atenção com seus ícones abstratos para o lixo que a cidade produz e prefere esconder. Um dos televisores apresenta um vídeo do mesmo Aronovich sobre o trabalho de Zezão.
A última das projeções contrasta com as demais, por mostrar uma São Paulo em preto e branco, vista de cima, com ar antigo e romântico. Daria até para esquecer um pouco do caos, se não fosse a gravação em repetição contínua, de enlouquecer. Como, muitas vezes, a própria São Paulo.
Onde: Instituto Cervantes - Avenida Paulista nº 2.439
Quando: até 21/02 - segunda-feira das 08h às 20h; terça à sexta das 08h às 21h. Sábado das 09h às 15h.
Quanto: grátis
Mas a despeito do caráter de instalação, a exposição é bem feita e significativa. Diversos aparelhos de televisão de um lado, escadas no meio e imagens projetadas do outro mostram fotografias de São Paulo que apontam a diversidade da capital. Em uma das projeções, imagens de Bob Wolfenson e Tuca Vieira (infelizmente não é discriminado de quem é cada foto) de uma São Paulo ao mesmo tempo caótica e bela. Wolfenson e Vieira conseguem enxergar a beleza (em um simples arco-íris, por exemplo) por trás de elementos tão odiados pelo paulistano, como o trânsito e a superpopulação.
Na projeção do meio, primeiramente são mostradas fotografias de Filipe Berndt, do bairro da Bela Vista, mais especificamente de uma academia montada debaixo de um viaduto, voltada principalmente ao boxe. Berndt, assim como já o fizeram Scorsese e Eastwood no cinema, descortina o que há de belo em um esporte visto muitas vezes apenas como violento. Outra série apresenta a arte urbana tão presente (e tão polêmica) em São Paulo, em imagens de Ignacio Aronovich.
Primeiro a pixação, depois o grafitti. Mas um tipo especial de grafitti, feito no subterrâneo, nas galerias pluviais, por Zezão, que chama a atenção com seus ícones abstratos para o lixo que a cidade produz e prefere esconder. Um dos televisores apresenta um vídeo do mesmo Aronovich sobre o trabalho de Zezão.
A última das projeções contrasta com as demais, por mostrar uma São Paulo em preto e branco, vista de cima, com ar antigo e romântico. Daria até para esquecer um pouco do caos, se não fosse a gravação em repetição contínua, de enlouquecer. Como, muitas vezes, a própria São Paulo.
Onde: Instituto Cervantes - Avenida Paulista nº 2.439
Quando: até 21/02 - segunda-feira das 08h às 20h; terça à sexta das 08h às 21h. Sábado das 09h às 15h.
Quanto: grátis
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terça-feira, 27 de janeiro de 2009
Descendo do salto: celebridades são desmistificadas em duas mostras em São Paulo
Está em cartaz no SESC Pinheiros a exposição Voom Portraits, de Robert Wilson. Fruto de um projeto idealizado por uma empresa de televisores de alta definição, as obras de Wilson são um misto de fotografia, vídeo e cinema. Em modernos televisores, são projetadas imagens que, de início, lembram fotos. Aos poucos, o retratado começa a se mover, ou algo começa a acontecer, mas sempre em movimentos contidos.
Diversas personalidades em situações e figurinos excêntricos são retratadas, quase que a desmistificar personagens muitas vezes glamourizados. Steve Buscemi, o Mr. Pink de Cães de Aluguel, tem à frente de si uma imensa peça de carne suja de sangue, assim como o avental de açougueiro que veste. Wynona Rider lembra uma Carmen Miranda, cheia de badulaques na cabeça e quase que enterrada em seu traje. Brad Pitt, apenas de cuecas, toma chuva e porta uma pistola d’água com que atira em direção ao espectador, rompendo a relação objeto filmado/plateia tão cara ao cinema.
Outra boa mostra em cartaz, esta no MuBE, é Chop off Their Heads, com trabalhos de Rankin, fotógrafo que criou a revista Dazed and Confused. Logo na entrada, uma rainha Elizabeth que quase pede para ser rabiscada com um God Save the Queen à moda Sex Pistols. Mas intervenções do tipo não tem sido bem vindas, então é bom conter o ímpeto punk juvenil.
De certo modo, Rankin acaba dialogando com Wilson, já que suas fotos também podem servir para desmistificar os mitos sagrados das celebridades. Em que outro lugar é possível ver George Clooney com o dedo no nariz (ok, ele não está realmente com o dedo no nariz, mas é a ideia que se quer passar) ou Jude Law deitado no ombro amigo de Ronald McDonald? O sisudo James Bond, Daniel Craig, faz uma careta, Bowie arreganha os dentes, os irmãos Gallagher, quase tão famosos por suas brigas quanto por suas músicas, se abraçam fraternalmente. É com o inesperado e com a fuga do óbvio que Rankin trabalha.
O destaque fica para as fotos P/B. Keith Richards e seu inseparável cigarro, toda a angústia de Thom Yorke com seus olhos fechados e o olho quase oriental da islandesa Björk escapando do cabelo que cobre seu rosto só tem a ganhar com esta combinação clássica da ausência de cores.
Robert Wilson - Voom Portraits
SESC Pinheiros - Rua Paes Leme, 195 - Pinheiros
Grátis
Terça a sexta, das 10h30 às 21h30. Sábados, domingos e feriados, das 10h30 às 18h30
Até 1º/2.
Tel. - 3095-9400
Chop off Their Heads
MuBE - Av. Europa, 218 - Jardim Europa
Grátis
Terça a domingo, das 10h às 19h.
Até 5/2
Tel. – 2594-2601
Diversas personalidades em situações e figurinos excêntricos são retratadas, quase que a desmistificar personagens muitas vezes glamourizados. Steve Buscemi, o Mr. Pink de Cães de Aluguel, tem à frente de si uma imensa peça de carne suja de sangue, assim como o avental de açougueiro que veste. Wynona Rider lembra uma Carmen Miranda, cheia de badulaques na cabeça e quase que enterrada em seu traje. Brad Pitt, apenas de cuecas, toma chuva e porta uma pistola d’água com que atira em direção ao espectador, rompendo a relação objeto filmado/plateia tão cara ao cinema.
Outra boa mostra em cartaz, esta no MuBE, é Chop off Their Heads, com trabalhos de Rankin, fotógrafo que criou a revista Dazed and Confused. Logo na entrada, uma rainha Elizabeth que quase pede para ser rabiscada com um God Save the Queen à moda Sex Pistols. Mas intervenções do tipo não tem sido bem vindas, então é bom conter o ímpeto punk juvenil.
De certo modo, Rankin acaba dialogando com Wilson, já que suas fotos também podem servir para desmistificar os mitos sagrados das celebridades. Em que outro lugar é possível ver George Clooney com o dedo no nariz (ok, ele não está realmente com o dedo no nariz, mas é a ideia que se quer passar) ou Jude Law deitado no ombro amigo de Ronald McDonald? O sisudo James Bond, Daniel Craig, faz uma careta, Bowie arreganha os dentes, os irmãos Gallagher, quase tão famosos por suas brigas quanto por suas músicas, se abraçam fraternalmente. É com o inesperado e com a fuga do óbvio que Rankin trabalha.
O destaque fica para as fotos P/B. Keith Richards e seu inseparável cigarro, toda a angústia de Thom Yorke com seus olhos fechados e o olho quase oriental da islandesa Björk escapando do cabelo que cobre seu rosto só tem a ganhar com esta combinação clássica da ausência de cores.
Robert Wilson - Voom Portraits
SESC Pinheiros - Rua Paes Leme, 195 - Pinheiros
Grátis
Terça a sexta, das 10h30 às 21h30. Sábados, domingos e feriados, das 10h30 às 18h30
Até 1º/2.
Tel. - 3095-9400
Chop off Their Heads
MuBE - Av. Europa, 218 - Jardim Europa
Grátis
Terça a domingo, das 10h às 19h.
Até 5/2
Tel. – 2594-2601
terça-feira, 18 de novembro de 2008
Fodidos e mal pagos *
Para quem recebeu a alcunha de “do vazio”, até que esta Bienal está rendendo alguma coisa. Primeiro foi o show do Fischerspooner, no domingo pós TIM Festival (este sim vazio, aliás).
Agora surge uma bela seleção de filmes, com destaque para alguns sobre música. No último domingo (16/11) foi a estréia, com três sessões de Instrument, documentário que acompanha a trajetória da seminal Fugazi. O seminal aqui não é adjetivo-clichê de crítico preguiçoso, pois a banda acabou responsável pela criação de um movimento, o straight-edge, mesmo que involuntariamente.
De início (o grupo surge nos idos de 1987) uma banda de hardcore, o som evolui ao longo dos discos para algo mais amplo, experimental, um pós-hardcore, para os que não vivem sem um rótulo. E por dez anos o diretor Jem Cohen acompanha esta evolução em um estilo similar ao da banda, sem explicar muita coisa, em grande parte apenas registrando os sons e as imagens. A opção se mostra bastante acertada. Por diversas vezes pessoas nas filas dos shows são mostradas, apenas imagens, nada de entrevistas. Aqueles rostos, aqueles tipos, bastam por si mesmos como registro do tipo de público que a banda atrai. Quando finalmente o diretor resolve ouvi-los, pouca coisa coerente se salva.
Uma banda tão atípica como o Fugazi só poderia ganhar uma sessão igualmente fora do comum. Projetado no terceiro andar da Bienal, os visitantes entravam na sala, ficavam por alguns segundos expostos ao som pouco palatável da banda e iam embora. Além de mim, apenas uma garota assistiu do começo ao fim.
* Fugazi é a junção das primeiras letras de Fucked Up, Got Ambushed, Zipped In, uma gíria usada pelos italianos na 2ª Guerra e reutilizada pelos americanos no Vietnã que quer dizer algo como “fudeu, emboscada, foi pro saco”.
Agora surge uma bela seleção de filmes, com destaque para alguns sobre música. No último domingo (16/11) foi a estréia, com três sessões de Instrument, documentário que acompanha a trajetória da seminal Fugazi. O seminal aqui não é adjetivo-clichê de crítico preguiçoso, pois a banda acabou responsável pela criação de um movimento, o straight-edge, mesmo que involuntariamente.
De início (o grupo surge nos idos de 1987) uma banda de hardcore, o som evolui ao longo dos discos para algo mais amplo, experimental, um pós-hardcore, para os que não vivem sem um rótulo. E por dez anos o diretor Jem Cohen acompanha esta evolução em um estilo similar ao da banda, sem explicar muita coisa, em grande parte apenas registrando os sons e as imagens. A opção se mostra bastante acertada. Por diversas vezes pessoas nas filas dos shows são mostradas, apenas imagens, nada de entrevistas. Aqueles rostos, aqueles tipos, bastam por si mesmos como registro do tipo de público que a banda atrai. Quando finalmente o diretor resolve ouvi-los, pouca coisa coerente se salva.
Uma banda tão atípica como o Fugazi só poderia ganhar uma sessão igualmente fora do comum. Projetado no terceiro andar da Bienal, os visitantes entravam na sala, ficavam por alguns segundos expostos ao som pouco palatável da banda e iam embora. Além de mim, apenas uma garota assistiu do começo ao fim.
* Fugazi é a junção das primeiras letras de Fucked Up, Got Ambushed, Zipped In, uma gíria usada pelos italianos na 2ª Guerra e reutilizada pelos americanos no Vietnã que quer dizer algo como “fudeu, emboscada, foi pro saco”.
quarta-feira, 12 de novembro de 2008
Acelerados
É a porta dos desesperados: você troca o festival Planeta Terra, com suas zilhões de atrações ocorrendo simultaneamente, pelo show do R.E.M.? Siiim! (Bom, neste caso, o TIM seria aquele cara vestido de macaco que saía assustando a molecada de uma das portas).
Se o PT mais uma vez pecou por fazer seu público perder shows imperdíveis (Rapture ou Devo em 2007, Foals ou The Jesus and Mary Chain em 2008) com seu esquema de shows simultâneos, e algumas bandas cuja expectativa era alta deixaram um pouco a desejar, caso do próprio JAMC, além de Bloc Party, o R.E.M. apresentou nesta terça (11/11) em São Paulo talvez o melhor show do ano.
Mesclando músicas do novo álbum, Accelerate, com clássicos como Orange Crush, It’s The End of The World as We Know It (And I Feel Fine), Losing my Religion e What's the Frequency, Kenneth?, a banda mostrou uma apresentação vigorosa e intensa, diferente do modo burocrático como tocou o JAMC, por exemplo. Prova de que, independente da idade, é possível manter a vontade e o tesão pela música.
Só por momentos como Everybody Hurts, cantada em uníssono pelos 6 mil presentes, já valeria a pena. Após duas horas, o show termina com Man on the Moon. Foi mais fácil o homem chegar à Lua do que o R.E.M. a São Paulo. Mas a espera foi plenamente recompensada.
Se o PT mais uma vez pecou por fazer seu público perder shows imperdíveis (Rapture ou Devo em 2007, Foals ou The Jesus and Mary Chain em 2008) com seu esquema de shows simultâneos, e algumas bandas cuja expectativa era alta deixaram um pouco a desejar, caso do próprio JAMC, além de Bloc Party, o R.E.M. apresentou nesta terça (11/11) em São Paulo talvez o melhor show do ano.
Mesclando músicas do novo álbum, Accelerate, com clássicos como Orange Crush, It’s The End of The World as We Know It (And I Feel Fine), Losing my Religion e What's the Frequency, Kenneth?, a banda mostrou uma apresentação vigorosa e intensa, diferente do modo burocrático como tocou o JAMC, por exemplo. Prova de que, independente da idade, é possível manter a vontade e o tesão pela música.
Só por momentos como Everybody Hurts, cantada em uníssono pelos 6 mil presentes, já valeria a pena. Após duas horas, o show termina com Man on the Moon. Foi mais fácil o homem chegar à Lua do que o R.E.M. a São Paulo. Mas a espera foi plenamente recompensada.
quinta-feira, 30 de outubro de 2008
Adolescentes fluorescentes – “Arctic Monkeys at The Apollo”
Se Walter Benjamin (1892-1940) tivesse nascido uns anos mais tarde, poderia ter desenvolvido sua teoria a respeito da aura ao assistir a "Arctic Monkeys at The Apollo", filme que retrata o último show da turnê do grupo inglês, ocorrido em 17 de dezembro de 2007. Assistir a um show ao vivo é uma experiência única, catártica muitas vezes, impossível de se reproduzir por meio de um filme. Quem vê um show gravado tem a mesma sensação de quem assiste a um jogo na TV ou a um filme pornô. Até que é legal, mas o bom mesmo seria estar lá.
Se a comparação filme/show ao vivo é injusta com o primeiro, resta então analisar a obra pelo que é. Para azar de "Arctic Monkeys at The Apollo", também sobre este prisma ele sai perdendo. Pois “...at The Apollo” não difere em nada de qualquer DVD de show encontrado aos montes hoje em dia. Faltou a Richard Ayoade, que assina a obra, arriscar mais. Filmado em 16 mm, poderia ter se aproximado mais do cinema, utilizado ângulos menos óbvios, recursos originais, enfim, entregar mais do que simplesmente imagens da banda em ação. O que se salva é a bela iluminação, muitas vezes escura no geral, com luz apenas nos garotos da banda. “Adolescentes fluorescentes”, parece evocar a luz. Mas fica só nisso. Se bem que, para a geração YouTube, acostumada que está com imagens de shows pixeladas e tremidas, assistir a 76 minutos de bons sons e imagens nítidas não deixa de ser um alívio.
Se a comparação filme/show ao vivo é injusta com o primeiro, resta então analisar a obra pelo que é. Para azar de "Arctic Monkeys at The Apollo", também sobre este prisma ele sai perdendo. Pois “...at The Apollo” não difere em nada de qualquer DVD de show encontrado aos montes hoje em dia. Faltou a Richard Ayoade, que assina a obra, arriscar mais. Filmado em 16 mm, poderia ter se aproximado mais do cinema, utilizado ângulos menos óbvios, recursos originais, enfim, entregar mais do que simplesmente imagens da banda em ação. O que se salva é a bela iluminação, muitas vezes escura no geral, com luz apenas nos garotos da banda. “Adolescentes fluorescentes”, parece evocar a luz. Mas fica só nisso. Se bem que, para a geração YouTube, acostumada que está com imagens de shows pixeladas e tremidas, assistir a 76 minutos de bons sons e imagens nítidas não deixa de ser um alívio.
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